Pedestre não tem vez
O sinal estava verde para mim, mesmo assim parei para dar passagem a uma senhora de bengala na FAIXA DE PEDESTRE, não fazendo mais que minha obrigação. O imbecil no carro de trás ficou nervosinho, soltou um buzinaço e me ultrapassou loucamente, quase pegando a senhora.
É a segunda vez que isso acontece esta semana. Só que da primeira vez eu era o pedestre. O imbecil me viu e mesmo assim avançou. Por um palmo eu não estava aqui reclamando.
Na Borges Lagoa, alguns semáforos de pedestre duram 10 segundos (cronometrei). Quando fecha para uma rua, os carros da outra fazem a conversão, portanto você só tem mesmo esses 10 segundos para atravessar. Só que os motoristas, especialmente os de ônibus, muitos deles biarticulados, adoram esticar o sinal amarelo e frequentemente formam uma muralha intransponível sobre a faixa de pedestre, por muito mais de 10 segundos.
Some-se a isso o fato de que nas redondezas há diversos departamentos da faculdade de medicina da UNIFESP, hospitais e clínicas, o que faz com que haja muitos pedestres doentes, idosos ou com dificuldade de locomoção. O desrespeito à vida pelos motoristas é algo tristemente óbvio nessa cidade, mas aqui ele beiraria o ridículo, se não fosse trágico.
Segundo as leis de trânsito, o pedestre tem sempre a preferência em qualquer circunstância, mas aqui, quando um carro dá passagem, eles atravessam correndo (quando podem correr), envergonhados por causar tanto transtorno à fluência dos automóveis.

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Na Europa
Irritar motoristas faz parte da política urbana em boa parte da Europa.